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O DISFARCE DO OVO PROPÕE REAÇÃO À OBRA DE CLARICE LISPECTOR

Usando escritura corporal, Coletivo de artistas trás como proposta uma reação ao universo epifânico da autora, a partir dos contos A Legião Estrangeira e O Ovo e a Galinha.

O Disfarce do Ovo, do Coletivo Teatro Dodecafônico, faz temporada na Casa de Dona Yayá, no Bixiga, em São Paulo, até 20 de dezembro. Criada coletivamente, a dramaturgia explora a escritura corporal, substituindo as palavras por imagens para a construção da encenação, composta por 7 quadros. Cada quadro parte de um ponto específico: uma partitura corporal ou sonora, a relação com um objeto, um recorte de espaço, sempre sobrepostos a textos diversos. O treinamento corporal das atrizes foi baseado em princípios técnicos desenvolvidos por Klauss Vianna.

Sendo o corpo o suporte e o condutor para a materialização da experiência, o espaço cênico reproduz um lugar de intimidade, comportando apenas 25 pessoas por sessão. Durante a encenação, os presentes vivem a encenação ao lado das atrizes, transitando por espaços que sugerem ambientes domésticos. O público percorre, ao mesmo tempo, caminhos de estranhamento da alma e da memória, compartilhando o mundo interior da autora.

A escolha por espaços alternativos é parte da pesquisa do grupo, que entende a arquitetura na qual a peça será apresentada como primeiro desafio à instalação das cenas. Os detalhes arquitetônicos da Casa de Dona Yayá incrementam ainda mais a encenação, já que a casa é apresentada ao espectador como ela é.

A Casa é um dos mais conhecidos bens culturais da Universidade de São Paulo, tombado pelo Condephaat. Na primeira metade do século passado, foi habitada por Dona Yayá por mais de 35 anos, e se transformou, com o agravamento de sua suposta insanidade mental, em sua própria alcova. Há todo um mito que ainda cerca a casa, que é considerada um dos últimos exemplares de chácaras urbanas em São Paulo. É uma das poucas casas que ainda guarda paredes trabalhadas pelas mãos de restauradores. É possível ver as diversas camadas de tinta pelas quais passou ao longo de um século ou mais.

Sinopse do espetáculo:

A encenação revela uma série de encontros: duas mulheres, uma menina, um ovo, um pintinho. Ao percorrer uma trajetória fragmentada, o espectador é convidado a transitar pelo jardim e pelo interior da casa, caminhos de estranhamento da alma e da memória. Por meio da linguagem corporal, duas atrizes reagem ao universo epifânico da escritora Clarice Lispector. Apenas 25 pessoas assistem cada apresentação.

O Disfarce do Ovo

De 24/10 a 20/12

Sábados às 20h e domingos às 19h

Local: Casa de Dona Yayá

Rua Major Diogo, 353 - Bixiga  tel.: 31063562

Capacidade: 25 pessoas

Duração: 1 hora e 20 minutos

Idade recomendada: a partir de 14 anos

Ingressos: 20,00 (inteira) e 10,00(meia)

Em caso de chuva não haverá apresentação

Reservas: 76744062

Mais informações: http://teatrododecafonico.blogspot.com/

FICHA TÉCNICA

Encenação: Verônica Veloso Co-encenação: Paulina Caon Intérpretes criadoras: Beatriz Cruz e Gabriela Cordaro Preparação corporal: Verônica Veloso e Paulina Caon Espaço cênico, arte-gráfica e fotografia: Renata Velguim Figurino: Jorge Wakabara Concepção de luz: Taty Kanter Audiocenografia: Felipe Julian Vídeos: Marina Bastos Produção: Coletivo Teatro Dodecafônico

SOBRE AS ARTISTAS:

Verônica e Paulina trabalharam por 7 anos no OBARA Grupo de Pesquisa e Criação em Teatro-Dança, investigando princípios técnicos desenvolvidos por Klauss Vianna. O grupo foi contemplado pelo Prêmio Funarte Klauss Vianna de Dança em 2006. Em paralelo, aprofundaram seus trabalhos em direção e técnicas corporais. Verônica Veloso é mestre em Artes Cênicas pela USP, sob orientação de Maria Lúcia Pupo, onde desenvolveu a pesquisa Jogos do Olhar - o cinema como recurso para a composição da cena teatral, para a qual recebeu apoio da FAPESP. Essa pesquisa resultou na encenação ISAURA S/A + 1 Experimento Hidráulico apresentada no Centro Tecnológico de Hidráulica (2008). Também encenou Casa de Cinzas, Terra Fechada no Pátio da Cruz da PUC, com alunos da Escola de Atores do TUCA, onde leciona desde 2005. Paulina Caon foi diretora do espetáculo RioabaixoRio que estreou na Casa de Dona Yayá. É mestre em Artes Cênicas pela ECA-USP, também sob orientação da Profa. Dra. Maria Lúcia Pupo. Na sua pesquisa, explorou o tema das tradições ligadas à corporalidade em comunidades tradicionais, discutindo sua importância na composição da educação corporal e da memória desses grupos.

As atrizes Gabriela Cordaro e Beatriz Cruz trabalham desde 2003, por meio de parcerias com o Grupo Forte Casa Teatro e com o diretor Gabriel Carmona. São também integrantes do Coletivo PIU - Pequenas Intervenções Urbanas, reunião de artistas de diversas áreas para a investigação de performances e intervenções urbanas, que em 2008 foi contemplado com os prêmios PAC (Programada de Ação Cultural) de Apoio a Festivais de Arte e o Funarte - Interações Estéticas em Pontos de Cultura.

Renata Velguim, Taty Kanter e Jorge Wakabara acompanham a encenadora Verônica Veloso, responsabilizando-se junto dela pela Direção de Arte de seus últimos trabalhos, cuidando do espaço e da programação visual, da iluminação e do figurino, respectivamente. Felipe Julian e Marina Bastos são parcerias mais recentes, Felipe colaborou com a criação da audiocenografia e Marina, com os vídeos da encenação.

Esses artistas, de proveniências diversas, compartilham com as atrizes e as encenadoras a autoria desse experimento cênico.

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