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DNA EM CARTAZ EM SÃO PAULO

A terceira peça sobre bulling, da premiada Cia Arthur Arnaldo, aborda temas do universo jovem. Confira entrevista que o diretor Tuna Serzedello concedeu ao CENPEC (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária)

Em cartaz em São Paulo/SP a peça "DNA", estrelada pela companhia de teatro Arthur-Arnaldo, tem a direção de Tuna Serzedello e é indicada pelo CENPEC (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), um dos mais respeitados centros de educação e cultura.

Direcionada a um público jovem, a peça aborda questões como bullying, ética e violência em uma linguagem ágil e com trilha sonora de bandas atuais, como Portishead e Beastie Boys.

Em entrevista ao Cenpec, Serzedello falou um pouco mais sobre DNA e a Cia. Arthur-Arnaldo, premiada por trabalhos anteriores sobre temas contemporâneos e do universo jovem. "Percebemos que a sociedade só poderá ser alterada se os seus jovens tiverem uma formação e consciência do lugar em que vivem e dos problemas que os cercam".

Por que encenar uma peça sobre bullying? No que se baseou a escolha do tema?

TUNA SERZEDELLO: É a segunda vez que abordamos o tema, "Bate Papo" do irlandês Enda Walsh, que encenamos em 2007 tratava do tema do cyberbullying que tentava levar um jovem a cometer o suicídio. Agora em "DNA" voltamos ao tema por um outro enfoque, o da inconsequência. O bullying nos interessa por ser um assédio invisível, aonde o assediado poucas vezes revela o que sente. É uma forma brutal de opressão no qual muitas vezes o oprimido se torna cúmplice do opressor, pois para ser aceito no grupo se sujeita a várias humilhações, como nos mostram os trotes universitários e a situação retratada na própria peça. A escolha do tema se baseou em uma indignação com os recentes casos de violência entre jovens que só queriam "se divertir" e acabaram ultrapassando todos os limites.

Que tipo de reflexão a peça espera suscitar nos jovens?

TUNA SERZEDELLO: Espero que os jovens que assistam DNA saiam do teatro repensando a sua conduta com seus colegas. É nas atitudes mais simples, e no silêncio daqueles que testemunham atos de bullying e violência sem dizer nada é que está a solução do problema. DNA não se propõe a ensinar nada, nem dar nenhuma lição de moral, apenas mostra o que pode acontecer se agirmos somente com nossos instintos.

A peça pode orientar professores a compreender e a lidar melhor com a questão do bullying nas escolas?

TUNA SERZEDELLO: A peça pode ajudar aos adultos a entender os mecanismos que levam ao bullying e tentar romper com o ciclo que causa o problema. Não existe uma fórmula para conter ou evitá-lo. Acho que a peça tem a função de suscitar a discussão e trazer aos olhos dos espectadores um assunto que acontece nos subterrâneos do comportamento jovem. Levar grupos de alunos e professores para, depois de assistirem a peça, poderem discutir o tema, e, ao comparar a trajetória dos personagens com os alunos da vida real, levantar pistas de como lidar com o problema em cada instituição de ensino. A questão do bullying passa também por outros temas importantes como a ética, a moral e o senso de cidadania dos jovens de hoje.

Essa é a terceira peça que a companhia encena que trata de temas contemporâneos e do universo juvenil. Por que a opção por esse enfoque?

TUNA SERZEDELLO: A Cia. Arthur-Arnaldo, desde sua fundação em 1996, procurou levar ao palco temas que debatessem o universo social e político, acreditando na mudança da sociedade a partir do teatro. Percebemos que a sociedade só poderá ser alterada se os seus jovens tiverem uma formação e consciência do lugar em que vivem e dos problemas que os cercam. Os adultos de amanhã não têm hoje um teatro que os represente e coloque em cena os seus questionamentos, ajudando-os a sentir-se parte da sociedade, por estarem nela representados e ter suas questões discutidas. Pensando em ajudar a suprir esse hiato, nos aventuramos em encenar peças com temas contemporâneos e relevantes ao universo jovem. Encenamos "Bate Papo" de Enda Walsh em 2007, espetáculo que foi contemplado com o Prêmio Miryam Muniz da Funarte e que teve 3 indicações ao Prêmio FEMSA de Teatro Infantil e Jovem em 2007, incluindo Melhor espetáculo jovem de 2007. Em 2008 encenamos "Cidadania" de Mark Ravenhill que tratava do tema da descoberta da sexualidade na adolescência a partir de um garoto que tem dúvidas de gênero. A peça teve uma repercussão muito grande e contou com o primeiro beijo gay do teatro jovem. Indicada em 3 categorias ao Prêmio FEMSA de Teatro Infantil e Jovem em 2007, incluindo Melhor espetáculo jovem de 2008, conquistou o prêmio de melhor ator para o protagonista Fábio Lucindo. Os três espetáculos fazem hoje parte do repertório da Cia Arthur-Arnaldo.

A peça é uma adaptação do texto de Denis Kelly, um dramaturgo inglês até então inédito no país. Você poderia contar um pouco mais sobre o autor?

TUNA SERZEDELLO: Dennis Kelly é considerado pela crítica inglesa como o mais interessante autor britânico a surgir nos últimos anos. Escreveu as peças Debris (2003), Osama the Hero (2005),Love and Money (2006), After the End (2006) e Taking Care of Baby (2007). A sua obra já foi encenada na Alemanha, Áustria, Suíça, Eslováquia, Holanda, República Checa, Portugal, Itália, Austrália, Japão e Estados Unidos. DNA é a primeira peça de sua autoria a ser encenada no Brasil.

Serviço:

Peça DNA

Direção Tuna Serzedello

Espaço dos Sátyros I (Pça. Roosevelt, 214 - República - São Paulo/SP)

Telefone: 11 3258-6345

Sábados e domingos - Às 19h

Ingresso: R$ 5 (p/ moradores da Pça Roosevelt) e R$ 20 Até 29/6

Fonte: http://www.cenpec.org.br/modules/news/article.php?storyid=806

(Mais informações sobre a Cia estão no blog: http://www.arthur-arnaldo.zip.net/)

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