Bibliografia
Nascido em Santos e contemporâneo de Plínio Marcos, Soffredini formou-se em letras na Faculdade de Filosofia de Santos, onde já participava de um grupo amador como diretor e autor. Trabalhando com grupos teatrais característicos da década de 70, Soffredini construiu sua carreira como diretor e dramaturgo, funções que costuma reunir nos projetos que realiza, tendo como premissa a pesquisa da cultura popular brasileira.
Em 1967 ganhou o prêmio do Serviço Nacional de Teatro, SNT, pelo texto O Caso Dessa tal de Mafalda que Deu o que Falar e que Acabou como Acabou, num Dia de Carnaval. Logo depois, em 1970, formou-se ator pela Escola de Arte Dramática, onde dirigiu, em 1972, Mais Quero Asno que me Carregue que Cavalo que me Derrube, adaptação dele mesmo para A Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente. Esse texto é até hoje um de seus trabalhos mais conhecidos e já foi levado aos palcos por inúmeras companhias brasileiras. Foi convidado em 1975 para dirigir a peça Farsa com Cangaceiro, Truco e Padre, de Chico de Assis, com produção do Teatro de Cordel de São Paulo. Para realizar o espetáculo, estudou as manifestações cênicas populares e fez levantamentos em circo-teatros da periferia de São Paulo e de cidades do interior.
Com base nessa pesquisa, em 1976 foi para o Sesc liderar o Projeto Mambembe e desenvolver espetáculos para apresentações em praças públicas. Fundou aí o Grupo Teatro Mambembe, guiado pela investigação da linguagem visual das formas cênicas brasileiras, dos signos da representação dos intérpretes populares de circo ou televisivos e da estrutura dos textos brasileiros e de língua portuguesa. Soffredini encarregava-se da concepção geral do trabalho, da dramaturgia, da organização das marcações cênicas e das coreografias. Esse projeto produziu a peça A Vida do Grande Dom Quixote de la Mancha e do Gordo Sancho Pança, adaptada do texto de Antônio José da Silva, com temporada que se iniciou em 1976.
Com o fim do apoio do Sesc, em 1977, alguns atores decidiram manter o grupo e no mesmo ano apresentam A Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente. Adaptada em processo de criação coletiva, incorporou números de canto e dança inspirados nas revistas musicais brasileiras do século XIX e início do XX. Na época iniciava-se um movimento de Teatro de Grupo envolvendo o Mambembe, o Macunaíma, o Asdrúbal..., o Ornitorrinco, Grupo do Jeito que Dá, e tantos outros.
Nesse período, já trabalhando com o Pessoal do Victor no espetáculo Na Carrera do Divino, escreveu a peça Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu, que o grupo Mambembe resolve montar, com direção de Iacov Hillel. O texto apóia-se no depoimento de circenses retratando os valores tradicionais de uma família do circo.
Em 1985 Soffredini fundou o Núcleo de Estética Teatral Popular, que remontará várias peças de sua autoria. Em 1987 o grupo Ponkã o convida para escrever Pássaro do Poente, com base em uma lenda popular japonesa, espetáculo inspirado e dirigido por Marcio Aurélio. Em Vacalhau e Binho, 1993, grande sucesso de público, utiliza vários textos de Zé Fidelis (personagem criada por Gino Cortopassi para um programa de rádio) e os justapõe em uma série de quadros que têm como elo de ligação um casal de atores portugueses.
Em cinema, recebeu um Kikito do Festival de Gramado de 1985 pelo roteiro de A Marvada Carne, baseado na peça Na Carrera do Divino. Para a TV, escreveu junto com Walter Avancini a telenovela Brasileiras e Brasileiros, transmitida pelo SBT de 1990 a 1991.
Morreu em São Paulo, exatos 62 anos e 4 dias depois de nascer.