Bibliografia
Jorge Andrade nasceu em Barretos, no dia 21 de maio de 1922 e morreu em 13 de março de 1984, aos 62 anos. Aconselhado pela atriz Cacilda Becker, que percebera nele o talento para escrever, cursou a Escola de Arte Dramática de São Paulo, onde passou a lecionar, em 1953.
Seu primeiro texto, O Telescópio, foi escrito em 1951. Realista, apresenta uma única situação, em apenas um ato e é o primeiro texto a exorcizar os demônios familiares da aristocracia decadente, em conflito com os costumes da nova geração.
Durante a infância, Jorge testemunhou a perda da fazenda de seu avô, devido à crise econômica de 1929 e conseqüente baixa internacional do preço do café. Dessa experiência resultou A Moratória, drama encenado em 1955, que relata a derrocada de uma família que perde uma fazenda de café e deposita toda esperança de vida no benefício da moratória.
Até Pedreira das Almas, seus textos são escritos sob a perspectiva das classes dominantes. A ótica das classes oprimidas é mostrada em Vereda da Salvação, encenada pela primeira vez por Antunes Filho em 1964, no Teatro Brasileiro de Comédia. A peça logo foi retirada de cartaz . A direita pungente do recente regime militar criticou severamente a ousada encenação em seu privilegiado reduto, o TBC. A partir daí, Jorge Andrade passou a ser figura incômoda e sujeita a desconfianças.
A decadência da aristocracia rural foi tema de histórias diferentes, com personagens semelhantes. Após a crise do café, tem-se a industrialização da cidade de São Paulo. Ossos do Barão abrange esses conflitos mais atuais, com o casamento de uma jovem aristocrata empobrecida e o herdeiro de um imigrante enriquecido. Dá-se a união entre a tradição e o trabalho, história que coincide com a de muitas riquezas famosas na metrópole.
Rastro Atrás é uma prova de que o dramaturgo não se curvou aos desafios. Obra auto- biográfica, relata uma viagem de volta ao interior, para um reencontro com o pai. O texto busca um resgate doloroso da identidade e da história de sua vida. De acordo com Sábato Magaldi, Rastro Atrás tem algo de After Fall (Depois da Queda), de Arthur Miller, sobretudo na coragem e no desassombro do auto-questionamento.
Não só em Rastro Atrás a marca de Arthur Miller está presente na vida e obra de Jorge Andrade. Em viagem aos Estados Unidos, Jorge recebeu do dramaturgo norte-americano um conselho que se apropriou de suas obras: Volte para o seu país e procure descobrir porque os homens são o que são e não o que gostariam de ser, escreva sobre a diferença.
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Toda a obra de Jorge Andrade está em Marta, a Árvore e o Relógio ed. Perspectiva